1ª Feira do Emprego de Santarém – Jornal O Ribatejo/PMEConsult
Especiais Quinta-feira, Junho 24th, 2010BALANÇO EM VÍDEO
Globalmente, a “1ª Feira de Emprego e Qualificação” foi uma aposta ganha, uma vez que se conseguiu mobilizar para um certame comum, um conjunto de entidades responsáveis pelo emprego, pela qualificação e pela formação na região de Santarém, com consequente participação de largas centenas de visitantes durante os dois dias em que decorreu no Centro Nacional de Exposições do Cnema, em Santarém.
Feira do Emprego e Qualificação:
Uma visão de futuro
Por Florinda Matos
(*) Docente /Investigadora – Consultora PMEConsult
Contrariando o ambiente de crise e de impassibilidade que envolve o mercado do emprego e da qualificação no nosso país, decorreu, em Santarém, nos passados dias 18 e 19 de Junho, a “1ª Feira de Emprego e Qualificação”.
Globalmente, esta é mais uma aposta ganha, uma vez que se conseguiu mobilizar para um certame comum, um conjunto de entidades responsáveis pelo emprego, pela qualificação e pela formação na região de Santarém, com consequente participação de largas centenas de visitantes.
Os diversos “workshops” do evento estiveram praticamente sempre cheios de público, ávido de saber mais sobre a procura de emprego ou sobre a criação do próprio emprego.
Na conferência “Ensino, Emprego e Empreendedorismo” discutiu-se o papel da escola, nos diversos graus de escolaridade, enquanto agente de transformação dos níveis de qualificação da sociedade portuguesa.
Nesta conferência, ficou patente a necessidade que existe em qualificar a população portuguesa (não nos podemos esquecer que Portugal apresenta um dos níveis de educação mais baixos dos países da OCDE) para que esta possa corresponder aos novos desafios da sociedade do conhecimento. É necessário que o ensino se ajuste à realidade nacional, preparando os estudantes para dar resposta às necessidades das empresas, dando-lhes competências chave em áreas determinantes. É preciso um ensino mais rigoroso e exigente, o que exige também a revisão de muitos dos pressupostos actuais. O problema não se deve centrar apenas na quantidade, mas na qualidade e na eficácia do ensino ministrado. Por outro lado, as instituições de ensino têm que compreender o papel do empreendedorismo, incentivando projectos nesta área e dando a conhecer os instrumentos que permitem a transformação de uma ideia num produto ou serviço útil à sociedade, torna-se por isso urgente uma maior aproximação entre a escola e a empresa para que, do conhecimento mútuo, surja o crescimento global.
Está provado que a partilha de conhecimento é hoje uma das ferramentas essenciais aos desenvolvimentos económico e os participantes na conferência “Gestão de Talentos e Competitividade Empresarial” tiveram a oportunidade de partilhar esse conhecimento e certamente enriquecer a sua cultura sobre gestão de talentos.
A propósito e para que não hajam dúvidas, quando se fala em talentos não estamos a falar das pessoas a que vulgarmente chamamos artistas, estamos a falar das pessoas comuns que conseguem fazer a diferença nas organizações. Estamos a falar daquela empregada de limpeza, isto para citar um dos exemplos referidos na conferência, que ao fazer a sua tarefa detectou uma fuga de óleo numa máquina, avisou o técnico responsável e impediu que o equipamento central de uma unidade industrial fosse queimado, destruindo toda a unidade! Os talentos de uma dada organização são afinal as pessoas com conhecimentos, capacidades, experiências e habilidades que conseguem fazer a diferenciação no processo organizacional.
A gestão de talentos, associada à qualificação, é hoje, inquestionavelmente, um factor determinante do sucesso organizacional por isso esperamos ter dado algum contributo para que as empresas da nossa região se aproximem mais dos melhores padrões de competitividade.
Novas conferências estarão de volta num futuro próximo.
Àqueles que contribuíram para o sucesso da “1ª Feira de Emprego e Qualificação”, da região de Santarém, deixamos os nossos agradecimentos.
E como dizia um dos oradores, “Os talentos fazem-se fazendo e participando”!
Depoimentos
Sónia Sanfona
Governadora Civil de Santarém
Esta feira é extraordinariamente importante. É importante porque permite dará conhecer a oferta de emprego e de qualificação do distrito aos jovens. Foi ouro sobre azul trazer a feira conjuntamente com um workshops que ajudam os jovens a se prepararem para o primeiro emprego, para o impacto de enviar currículos e ir a entrevistas. No distrito, o desemprego acompanha a média nacional. Estamos a entrar na época da sazonalidade dos empregos e a perspectiva é que, durante este período de Verão, melhore a performance regional ao nível do emprego. O Governo Civil tem feito um trabalho de divulgação das escolas, de empresas e também da instituição militar, à qual tenho feito algum apelo porque tem um tipo de oferta altamente profissionalizada.
Ricardo Gonçalves
Vereador da Câmara Santarém
Esta feira tem pernas para continuar porque é uma iniciativa que, nos dias de hoje, é extremamente importante porque temos mais de 10% de desemprego com perspectivas de aumentar.
Pedro Félix
Nersant
É uma iniciativa de louvar que se deve multiplicar no distrito e no país. Andamos muitos anos a ignorar esta questão do empreendedorismo e sofremos agora as consequências. Culturalmente não somos um povo empreendedor e, por isso, esta é uma iniciativa muito importante para estimular esse espírito.
CONFERÊNCIAS
Formação é fundamental para o talento nas empresas
“Gestão de talentos e competitividade empresarial” foi o tema da segunda conferência organizada no âmbito da Feira de Emprego, no dia 18, no Cnema em Santarém. Alexandre Rosa, vice-presidente do IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional, sublinhou que os recursos humanos são a variável chave da competitividade das empresas e, por isso, o mínimo que um bom gestor pode fazer é olhar para os seus quadros como potenciais talentos”. O dirigente do IEFP considera que “os talentos constroem-se com formação, embora durante muitos anos não se tenha dado valor à educação e formação no nosso país. Por isso, hoje só há uma forma de dar a volta a isto – dar aos jovens a possibilidade de atingirem níveis de qualificação mais elevados, e garantir formas de qualificar os trabalhadores adultos”. Joaquim Paulo Conceição, CEO do Grupo Lena, defendeu que “os talentos nas empresas têm de ser postos a render, caso contrário é como se não existissem”. Como se faz a gestão dos talentos num grupo que factura 800 milhões de euros e tem 5000 trabalhadores? Joaquim Paulo Conceição sublinhou a importância da monitorização dos talentos, porque “não há bom vento para quem não sabe para onde vai”. Considera que a formação profissional não deve ser só responsabilidade do IEFP, mas tem de ser assumida pelas empresas. “Ao longo destes anos gastou-se muito dinheiro em formação e não se viram resultados, porque a formação não foi à medida”, afirmou.
Para o professor universitário Albino Lopes, “o problema central do país é a estagnação do crescimento económico a partir do ano 2000, quando se completaram 40 anos de crescimento que colocaram Portugal como o segundo país da OCDE que mais cresceu (800%, valor só superado pelo Japão)”. O professor compara Portugal a um grande navio cujo motor parou algures nesta viagem de 40 anos. E que provocou a paragem? “Uma das causas mais importantes, e, no entanto, das menos invocadas, é a falta de qualificação do factor humano”. O problema é que os portugueses falharam o processo de adopção das novas tecnologias. “A tecnologia impôs-se e nós fomos ultrapassados em competitividade porque ficámos na era analógica”, afirmou. Segundo o professor, “não basta comprar computadores – por cada euro investido em tecnologia são precisos 4 euros em formação e mais 5 de investimento organizacional interno nas empresas”.
Ensino, emprego e empreendedorismo em debate
“Ensino, emprego e empreendedorismo” foi o tema da conferência realizada no dia 18, no âmbito da 1ª Feira de Emprego organizada pelo jornal O Ribatejo, em parceria com a PME Consult.
Com moderação de Florinda Matos, consultora da PME Consult, esta conferência abriu com uma intervenção de Hélder Pereira, da Escola Superior de Gestão de Santarém, que contrariou a ideia de que há doutores a mais em Portugal e de que se estão a formar licenciados para o desemprego. “Pelo contrário, Portugal é o país da Europa com a menor taxa de frequência de ensino superior”, afirmou. O professor da ESGS considera que “a falta de competitividade da nossa economia deve-se ao problema da fraca qualificação da população”. Considera especialmente aterradores os dados sobre a qualificação dos empresários portugueses: “Mais de metade dos nossos empresários tem menos do 9º ano de escolaridade”.
Maria Salomé Rafael falou da sua enorme experiência à frente das escolas profissionais de Salvaterra de Magos, Coruche e do Vale do Tejo em Santarém, nas quais se formaram cerca de 12 mil alunos nos últimos 20 anos. Salientou o esforço realizado nestas escolas para contrariar a tradicional falta de empreendedorismo do nosso país: “Todos os anos muitos dos nossos alunos criam as suas próprias empresas, a partir dos projectos que desenvolvem no âmbito dos cursos na escola”.
O director do ISLA Santarém, Valter Vairinhos, citou dados do Eurobarómetro que dão conta de que só 4% dos portugueses se interessam pelo empreendedorismo, os outros 96% querem é um emprego”. É possível ensinar o empreendedorismo? Para Valter Vairinhos, “a escola não pode ensinar a arriscar, mas pode ensinar técnicas que permitam ser bem sucedido”.
O director da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, Miguel Pinto dos Santos, defende que “não é missão do ensino superior promover o emprego, mas sim a formação superior dos jovens”. Criticou as políticas de educação que têm “reduzido os graus de exigência, o que faz com que os jovens cheguem ao ensino superior sem as competências que deveriam ter”.
Lopes de Sousa, vice-presidente da Nersant, considera que o sistema de ensino está longe de se ajustar às necessidades do mercado de trabalho. Sublinhou que a Nersant está a realizar o programa EmpCriança na área do empreendedorismo e que se direcciona para jovens do 1º ciclo do ensino básico.
ESPECIAIS EM PAPEL VIRTUAL
Pedro Félix -Nersant – Como criar o próprio emprego
Maria Manuela Asseiro Durão – Centro de Novas Oportunidades do ISLA
Georgette Lima – Como planear a carreira para garantir emprego
Helena Ribeiro – Go Work – Como preparar uma entrevista de emprego
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