Capoulas Santos deu “aula” na Escola de Gestão
Ensino Quinta-feira, Abril 29th, 2010O eurodeputado do PS, Capoulas Santos, considera que a atribuição de ajudas aos agricultores, após a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) em 2013, deve ter em conta critérios de respeito pelo ambiente e de criação de emprego.
Numa conferência integrada no curso de estudos europeus da Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, o ex-ministro da agricultura português referiu que o grupo dos eurodeputados socialistas europeus, do qual é coordenador na Comissão da Agricultura do Parlamento, já chegaram a uma proposta de base para a reforma da PAC e na qual se defende a atribuição de ajudas por hectare de produção agrícola e a atribuição de mais verbas aos agricultores que fizerem uma agricultura com mais respeito pelo ambiente e que crie mais postos de trabalho.
Capoulas Santos defende ainda que devem haver critérios de atribuição ligados a regiões mais desfavorecidas do território europeu e ainda às áreas de produção agrícola de modo biológico ou com produtos certificados.
“Se estes critérios forem aceites, a PAC será muito mais favorável a Portugal do que foi nos últimos anos, uma vez que o nosso país é já tem uma agricultura amiga do ambiente a um nível que outros países não têm”, afirmou o eurodeputado. Capoulas Santos espera ainda que o valor de ajudas para o sector agrícola se mantenha após a reforma em 2013 e que seja de, pelo menos, 35 por cento do valor total do orçamento comunitário.
“Há outras áreas políticas, como a segurança, a energia ou a defesa, para as quais se reclamam mais verbas e não vai ser fácil manter este nível de ajudas à agricultura que, actualmente, andará na ordem dos 40 por cento do orçamento europeu”, frisou ainda.
O eurodeputado socialista considera que é “indispensável” continuar a haver ajudas à agricultura porque, de outra forma, os produtos agrícolas europeus não terão condições de competir no mercado mundial com produtos de países de outros regiões do globo, como da América Latina ou da China. “Também não podemos fechar fronteiras porque se deixarmos de importar produtos agrícolas, esses países vão também deixar de importar outros produtos europeus”, salientou.
Classificando a PAC actual como “bem sucedida”, Capoulas Santos não deixou de criticar as “injustiças e desigualdades na repartição dos apoios”, nomeadamente com situações de agricultores que recebem fundos comunitários para não produzir, porque a produção europeia se tornou excedentária nalguns sectores. “Foi um modelo absurdo também porque, ao basear a atribuição de ajudas no histórico de produção dos agricultores, impediu que muitos outros novos produtores tivessem ajudas quando se instalaram”, disse ainda o ex-ministro da agricultura.
Capoulas Santos afirmou ainda que “negociação da reforma da PAC vai ser complicada” porque vai ser alvo de um processo de co-decisão entre 736 deputados do Parlamento Europeu e 27 ministros da agricultura dos estados-membros.
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