Home » Opiniões online » Será possível?

Será possível?

Por: Armando Fernandes

Nos primeiros tempos da vivência em democracia aprendi a gostar de António Barreto. Dele apenas conhecia um estudo elaborado em conjunto com outros exilados em Genebra, mas a sua firmeza enquanto ministro, as suas intervenções parlamentares e acima de tudo os trabalhos científicos derivados do seu labor ou coordenação obrigaram-me (obrigam-me) a ler atentamente tudo quanto escreve ou afirma.

Nos tempos idos de convivência no Parlamento guardo registos de avisados conselhos no referente à independência dos intervenientes na cousa pública de forma a não serem reduzidos à condição de escravos ou dependentes, pagos conforme os serviços prestados e a todo tempo à mercê do senhor, levando-os a praticarem actos grotescos (estou a ser meigo) para não serem despedidos.

 Algumas pessoas entendem ser António Barreto um impenitente pessimista, não chegam ao ponto de o acoimarem de lamechas por recearem um resposta convincente a denunciar ligeireza na classificação. Por tudo, e pelos ensinamentos sempre considerei António Barreto um formidável Presidente da República, no entanto, os elementos do aparelho socialista tudo fizeram no sentido de o silenciarem e reduzirem a estilhas.

Antes de um célebre congresso António Barreto ironizava sobre a sua impossibilidade de pedir a um obscuro assessor de Sampaio a entrada nas listas dirigentes do Partido Socialista.

Ainda não há muito tempo que vislumbrei o dito criado no aeroporto, pois agora ocupa um lugar na burocracia de Bruxelas. Por tudo quanto acima escrevi fiquei estupefacto ao ler no Expresso uma entrevista por ele concedida, na qual alude à possibilidade de alguém estar a ganhar muito dinheiro vendendo informações relativas ao processo Face Oculta.

As restantes considerações são de molde a não nos deixarem sossegados em relação ao futuro, no entanto, o refulgente passa pelo ruidoso desabar da credibilidade do sistema judicial.

Uma coisa é certa: ninguém discute a veracidade dos excertos publicados relativos à trama ou drama cujo papel principal está confinado a actores autores de declarações a adensarem o mistério. A situação é grave.

Os aprendizes de feiticeiro cederam estrondosamente à tentação, revelaram pouco talento nessas artes, parecendo serem mais papistas que o papa. Na perspectiva de António Barreto o ambiente é tão mau que se tivesse vinte anos emigrava. Dá que pensar. Recordo o grande capitão Salgueiro Maia e pergunto: será possível? Estamos no pântano aludido por Guterres?

Outras notícias que lhe podem interessar

  1. Touros, toureiros e touradas

Short URL: http://www.oribatejo.pt/?p=6025

Publicado por on Mar 7 2010. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

Leave a Reply

© 2012 O Ribatejo. All Rights Reserved. Iniciar sessão - Designed by Gabfire Themes - modificado por Marco Dinis Santos