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Nem o futebol tem artistas tão caros

Por: Joaquim Duarte, editorial jornal O Ribatejo dia 05 de Março de 2010

A dureza desta já longa crise económica, sem prognóstico de fim à vista, continua a manifestar-se, sobretudo, nos preocupantes índices de desemprego, a atingir já os 10,5% do mercado de trabalho. E a tendência nos próximos tempos é ainda para subir mais.

Enquanto isso, o país político continua mergulhado na bizantina questão das escutas telefónicas e seus derivados sobre a liberdade de expressão, com o circo mediático montado no parlamento onde o alvo privilegiado continua a ser José Sócrates, o sempre-em-pé que deputados e jornalistas se comprazem a enxovalhar. Eventualmente com carradas de razão, pois sobre ele já correm rumores antigos.

Como muito bem recordava há dias Correia da Fonseca, um dos já raros críticos de televisão: as coisas começaram por um sussurro acerca da sua sexualidade, que não seria como é costume. Claro que não se apurou nada e a onda passou. Veio depois o caso da sua licenciatura, que também não seria como é costume… e deu em nada. Continuou por aí fora…, a compra da sua casa em local caro, rumor que passou e deu em nada, como o da assinatura dos projectos de engenharia que não seriam seus. Da plurianual suspeita de suborno no caso Freeport também nada se conclui e tudo se encaminha para que onda também acabe por passar. Por último, temos o folhetim das escutas publicadas pelo SOL onde o primeiro-ministro se terá permitido conduzir a PT num negócio de 150 milhões de euros para a compra de 30% da TVI com o fito único de silenciar a iminente jornalista Manuela Moura Guedes. Ora, mais do que explosivo para a liberdade de imprensa, parece-nos que este caso seria sobretudo um péssimo negócio. É que nem o futebol tem artistas assim tão caros.

Mas adiante, que vem aí comissão de inquérito parlamentar para manter o caso em lume brando.  Enquanto isso, a crise que se dane. Mesmo que o país esteja a empobrecer a cada dia que passa, como se a falência fosse o seu destino inexorável.

Felizmente que também temos, de quando em vez, algumas boas notícias para dar. Lembram-se da ribatejana Elvira Fortunato, a investigadora da Universidade Nova de Lisboa que há dois anos venceu o prémio europeu de engenharia por ter inventado transístores à temperatura ambiente – e que também O Ribatejo homenageou numa das suas galas? Pois volta agora a ser notícia, pelas mais nobres razões: acaba de aplicar o valor do prémio que ganhou, qualquer coisa como 2,25 milhões de euros, na compra de um supermicroscópio electrónico, único no país, que permitirá à equipa de investigadores que dirige ver e fabricar coisas à nanoescala. Elvira Fortunato investiu o seu “euromilhões” na compra deste equipamento para a sua universidade, apenas com o propósito de poder trabalhar mais e melhor. Seria bom que exemplos destes também fossem notícia de abertura nos telejornais, talvez que o país que nos vedem na pantalha e nos jornais fosse menos amargo e descrente de si.

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Publicado por on Mar 5 2010. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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