Home » Opiniões online » O Campo da Feira – 2ªparte

O Campo da Feira – 2ªparte

Por: José Niza

A trasladação da Feira para o CNEMA ocorreu em 1994. Nessa altura eu era presidente da Assembleia Municipal de Santarém e entendi que o destino futuro do Campo Emílio Infante da Câmara constituía uma prioridade para o desenvolvimento da cidade e do concelho.

Tomei então a iniciativa de, no seio da Assembleia, propor a criação de uma Comissão que tempos depois, por unanimidade, aprovou um Relatório por mim elaborado e que foi posteriormente debatido numa reunião da Assembleia Municipal, aberta à população. Ficou assim aberto o caminho para que naquele abandonado espaço se construisse o futuro.

Nos últimos dezasseis anos a solução para o Campo da Feira veio esporadicamente à tona das conversas, mais para lhe sacudir o bolor do esquecimento do que para fazer obra a sério. Algumas iniciativas foram tomadas mas não conseguiram libertar-se da inércia e da falta de ambição. Em 1989 a Câmara lançou um concurso de ideias que teve morte súbita porque o projecto seleccionado era “da autoria do mesmo técnico” que já havia realizado um estudo de urbanização dos terrenos envolventes: a promiscuidade entre público e privado era tão comprometedora que a Câmara resolveu cortar o mal pela raiz. Tempos depois – e inspirado no anterior – surgiu um novo estudo a cuja apresentação eu assisti, e que me provocou insónias. Tratava-se de um projecto primário e minimalista que se limitava a manter a Casa do Campino e a Praça de Touros, ligadas por uma avenida. Mais uns anos de hibernação – e já neste milénio – foi aprovado um “plano de pormenor” cuja maqueta ainda maiores insónias me causou.

Em todo este longo processo de parcos avanços e maiores recuos, todos os edis se esqueceram de um pequeno pormenor: temos alguns dos melhores arquitectos do mundo, mas ninguém se preocupou em ir buscar um deles! Teria sido tão simples …

Ao anular agora o desastrado “plano de pormenor” que existia para o Campo da Feira, Moita Flores impediu um desastre urbanístico irreversível. Fez aquilo que eu ansiava que alguém fizesse. Mas também se constituíu na grande responsabilidade de levar a carta a Garcia.

Em meu entender, a solução futura do Campo da Feira deve obedecer a dois vectores principais: uma qualidade estética e urbanística de excelência que assegure a coexistência da modernidade com a tradição e o espírito do lugar; e uma blindagem total contra ataques de especulação imobiliária. Parece simples. Mas não é.

Foi isto o que sempre defendi e que, inesperadamente, fui encontrar num magnífico e bem estruturado texto que Moita Flores deixou escrito em 2008 no livro “A Feira a preto e branco” (de que sou co-autor com o grande fotógrafo Diniz Ferreira).

Quando o actual presidente da Câmara escreve que “ainda não apareceu o arquitecto com o talento e, sobretudo, a sensibilidade de converter aquele espaço, requalificando-o, mas sem lhe atraiçoar a sua memória fundadora”,  Moita Flores está a tocar no cerne da questão, a colocar o dedo na ferida, mas também a comprometer-se com a qualidade estética e urbanística do projecto… “ou seja, desenhar o espaço público e privado que suporte uma nova Celestino Graça moderna, multiusos” e que “desenhe alamedas e avenidas que se convertam em mangas”… “que desenhe o âmago da própria Feira”.. “que desenhe por forma a articular o bem público e o bem privado, associando a noite e o dia” … “que desenhe equipamentos e habitações, serviços, escritórios, pensando na Festa da Feira”. E termina: “Aquilo que nos interessa do passado são as grandes lições e não os maus exemplos”.

É isto.

É preciso que apareça um bom maestro para dirigir os vários andamentos desta sinfonia que Santarém não quer que seja “incompleta”. Mas é também necessário que o povo de Santarém seja estimulado a ter opinião e a exprimi-la.

E aqui deixo uma sugestão ao actual presidente da Assembleia Municipal – o meu amigo e colega, doutor Pinto Correia – para que, tal como eu fiz no início do processo, em 1994, convoque de novo a população de Santarém para saber o que se passa na cabeça de cada um e para que a grande decisão seja partilhada.

Outras notícias que lhe podem interessar

  1. O Campo da Feira – 1ªparte
  2. A dos Coelhos (a primeira parte foi A do Coelho)
  3. PS critica “megalomanias” de Moita Flores
  4. Ilações autárquicas

Short URL: http://www.oribatejo.pt/?p=5243

Publicado por on Fev 8 2010. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

1 Comment for “O Campo da Feira – 2ªparte”

  1. Novas Oportunidades

    Blá blá blá … mas inda algêm houve este senhor.

Leave a Reply

© 2012 O Ribatejo. All Rights Reserved. Iniciar sessão - Designed by Gabfire Themes - modificado por Marco Dinis Santos