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Escolas primárias desactivadas podem virar museus

A mudança do ensino básico do primeiro ciclo para os novos e modernos centros escolares vai provocar uma alteração substancial na formação primária em Portugal. Quem o afirma é Luís Vidigal, docente da Escola Superior de Educação de Santarém e director da Rede de Investigadores em História e Museologia da Infância e Educação.

Para este professor, a mudança traz mais desvantagens do que vantagens, apesar de promover “uma maior heterogeneidade de interacções entre os alunos e de permitir agrupar as crianças de acordo com as idades”.

Apesar de admitir vantagens visíveis, não só nas condições físicas dos edifícios dos centros escolares e nas tecnologias e espaços multiusos, Luís Vidigal considera que a “concentração dos alunos” nestes novos centros escolares não corresponde necessariamente a melhores condições de aprendizagem. Até porque, salienta o docente, o número de alunos por turma não diminuiu e, pelo contrário, diminuíram o número de professores relativamente aos que existiam para o mesmo número de turmas nas escolas primárias descentralizadas. “O argumento de que os centros escolares reduzem o isolamento físico dos alunos é falacioso.

Hoje em dia é perfeitamente possível, através dos recursos informáticos e de multimédia, manter escolas descentralizadas nas comunidades mais próximas dos alunos e melhorar a sua interacção com outros alunos”, frisa. E dá o exemplo de um projecto em Setúbal, chamado “escola nómada”, que promoveu uma maior interacção entre escolas do ensino básico, sem que para isso tenha sido necessário encerrar os edifícios das primárias e concentrar os alunos num só espaço.

Além da parte educativa, Luís Vidigal lamenta que, com o encerramento das escolas primárias nos meios rurais, se percam “referências comunitárias e identitárias”, “estruturas simbólicas” para estas localidades. “As autarquias recebem estes espaços e depois não sabem o que fazer com eles”, acrescenta Luís Vidigal que acompanhou a reconversão de uma escola primária de Coruche transformada agora em Escola Museu Salgueiro. “É uma solução adequada porque mantém referências locais nestes espaços”, afirma o professor, sugerindo ainda que estes espaços se possam tornar em museus escolares, em núcleos de etnografia e artesanato ou, no limite, em sedes para associações e colectividades locais. Outros dos bons exemplos, diz Luís Vidigal, é o do Museu Escolar de Vale da Pinta onde, a partir de um antigo edifício, se construiu um espaço que pretende juntar avós e netos numa partilha de experiências.

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Publicado por on Fev 2 2010. Arquivado em Ensino. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

1 Comment for “Escolas primárias desactivadas podem virar museus”

  1. Acho realmente uma belisssima ideia, e como essa ideia foi aproveitada em Alcanena, porque nao Visitar o Museu da Boneca em Alcanena.

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