Bernardo Santareno (1920-2010)
Opiniões online Sábado, Fevereiro 27th, 2010Por: Vicente Batalha
Assinala-se este ano o 90º Aniversário de Bernardo Santareno. É justo que o país, a cultura e o teatro, a quem deixou a sua obra ímpar, lhe prestem as devidas homenagens. Bernardo Santareno foi o grande dramaturgo do século XX e um dos maiores de todos os tempos, figurando o seu nome na galeria de notáveis do teatro português, como Gil Vicente (1465?-1536?), António José da Silva “O Judeu” (1705-1739) ou Almeida Garrett (1799-1854).
A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), de que foi director, e onde militou para a dignificação dos criadores, como era seu timbre, tomou a dianteira e promoveu “A Palavra Em Cena”, Exposição Evocativa do 90º Aniversário do Dramaturgo. A Exposição inaugurou a 14 de Janeiro e continua patente ao público até meados de Março, na Sala Carlos Paredes da sua sede em Lisboa. Para além de toda a sua obra, ali se podem ver, cartazes, programas, maquetas de cenários, fotografias históricas de momentos de consagração da sua vida, incluindo os oito painéis cedidos pelo Instituto Bernardo Santareno/Câmara Municipal de Santarém. Tudo está a ser feito para que esta Exposição possa vir em breve á cidade de Santarém.
Na semana seguinte, a 21 de Janeiro, “A Promessa”, a peça inicial e seu baptismo de fogo dramatúrgico, fez a sua estreia, numa produção do “Teatroesfera”, com encenação de Rui Luís Brás, que já antes tinha assinado uma encenação de “O Pecado de João Agonia”. Estamos perante uma interessante leitura e proposta cénicas, representadas por um elenco jovem para um público jovem, que esgotou a sala, interessado na modernidade do texto. Aí reside a sua força. A polémica peça de Santareno, que, em 1957, no Porto, dividiu a sociedade da época, traçou ab initio as características nucleares do seu teatro: a denúncia de todas as formas de opressão e a exaltação da liberdade e libertação humanas, a todos os níveis.
Começou bem a evocação de Bernardo Santareno neste 1º mês do ano. Fazemos votos para que outras iniciativas se sucedam e que os seus textos possam estar de volta aos grandes palcos. A representação do seu teatro é a melhor homenagem que lhe podemos prestar. Na dinâmica em curso, esse é o desafio e principal desígnio.
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