Por: Armando Fernandes
As imagens do tremendo temporal natural ocorrido na Madeira evidencia quão frágil é o poder dos homens ante uma Natureza raivosa, neste caso pelo torrencial choro vindo dos céus.
Nestas ocasiões todos quantos escrevem ou falam em termos de análise ou comentário sobre o ocorrido alinhavam palavras sentidas, emocionadas e na maior parte das vezes bem intencionadas.
Após o rescaldo outras ocorrências – dos mais variados géneros – prendem-nos a atenção e a vida prossegue. Não é assim para as pessoas amputadas de entes queridos vítimas das tragédias, ou sofredoras de prejuízos de maior ou menor monta. Essas continuarão pela vida fora a recordar as catástrofes, enquanto os operacionais do poder entregam cheques pouco compensatórios das perdas sofridas, coroam inaugurações das vias reparadas e descerram placas a assinalarem os infaustos acontecimentos.
Enquanto dura o luto fazem-se promessas de correcção dos erros do passado, anunciam-se gabinetes de crise acompanhados pelas “imprescindíveis comissões de inquérito”, às vezes autoras de relatórios bem fundamentados a preconizarem medidas e formas de actuação para no futuro quando a Natureza voltar a rugir no mar ou na terra e derramar torrentes de grossas lágrimas, não nos apanhar desprevenidos.
Se me não engano, assim tem sido desde há séculos e, recentemente, os membros da comissão de inquérito ao caso do furacão que devastou a cidade americana do jazz demonstraram a passividade, comodismo e não-te-rales dos engenheiros a quem cabia a responsabilidade de defesa da vetusta e singular New Orleans.
Do Funchal retenho forte impressão positiva, desde a maior livraria portuguesa à grande concentração de hotéis estrelados num curto percurso, passando pelos museus, galerias de arte e cêntrico lugar do Mundo escolhido por reis sem coroa, figuras e figurões para ali viverem ou descansarem.
Cresceu, multiplicou-se, tal como a generalidade das vilas promovidas (e bem) a cidades. A nossa solidariedade com os madeirenses deve ser total, isso não impede de perguntarmos: como foi possível? Os especialistas em generalidades já adiantaram um sem número de respostas, os nulos e abaixo de nulos avançam de dedo em riste a acusar beltrano e sicrano, os oportunistas pensam em novas oportunidades de negócio derivadas da reconstrução.
Talvez tenha chegado a altura de darmos a palavra aos peritos concedendo-lhes a possibilidade de impedirem atentados contra a Natureza. Ela, mais tarde ou mais cedo, vinga-se.
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