Greve dos enfermeiros com 88% de adesão no distrito

A greve dos enfermeiros, que esta quarta-feira se verificou por todo o país, teve cerca de 88% de adesão no distrito de Santarém, segundo dados apurados pela Lusa.

Em frente ao Hospital de Distrital de Santarém concentraram-se esta manhã algumas dezenas de enfermeiros. Segundo pudemos apurar terão sido cerca de 150 a fazer greve.

A nível nacional, a adesão à greve situa-se entre os 90 e os 95%, segundo dados do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). O Hospital Distrital de Aveiro regista uma adesão de 96 por cento, enquanto na unidade da Covilhã 92 por cento dos enfermeiros aderiram à greve, em Santiago do Cacém e Vila Franca de Xira é de 97 por cento.

Os enfermeiros iniciaram esta quarta-feira uma de três dias, contra a última proposta salarial do Ministério da Saúde, “inferior à apresentada anteriormente”.

Concentrados, primeiro, junto à entrada principal do hospital, onde entregaram aos utentes que iam chegando para as consultas e tratamentos panfletos explicando as razões do seu protesto, os enfermeiros marcharam, depois, até ao portão exterior, onde exibiram duas faixas.

“Para melhor cuidarmos de si elevámos a qualificação – Enfermeiros há 10 anos à espera da justa compensação” e “Vergonhosa discriminação dos enfermeiros – formação e competências acrescidas não são reconhecidas. A enfermagem não perdoa”, eram as frases inscritas a explicar as razões deste protesto.

Para Helena Jorge, só a grande indignação dos profissionais, perante a proposta salarial e as cotas de acesso ao topo da carreira, explica a elevada adesão a uma greve de três dias.

“Há 20 anos que não paralisávamos três dias”, disse, considerando inaceitável que a passagem de bacharéis a licenciados não seja reconhecido aos enfermeiros, contrariamente ao que aconteceu com outros profissionais.

O que mais indignou os profissionais foi o Ministério ter vindo propor um salário para quem ingressa na carreira inferior ao que é praticado actualmente, sendo este (1020 euros) abaixo do que é praticado para os restantes licenciados da Administração Pública, afirmou.

Helena Jorge tem a expectativa de que a manifestação agendada para sexta-feira em Lisboa irá ser demonstrativa do grande descontentamento da classe.

Segundo disse, neste momento tem já 500 inscrições de enfermeiros do distrito para participarem nesse protesto.

Helena Jorge explicou a acalmia nas Urgências com o facto de ter sido feito um apelo às pessoas para que evitem recorrer a este serviço, embora preveja que o encerramento de vários centros de saúde da região possa originar um maior afluxo ao hospital nos próximos dias.

Estes profissionais afirmam-se “humilhados” perante a proposta de ingresso na carreira a receber 995 euros, “abaixo dos actuais já injustos 1020 euros e muito longe dos 1200 euros de qualquer outro licenciado na Administração Pública”.

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