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Avaliações + Progressões = +Dinheiro

Por: José Niza

Na educação e no ensino, como em qualquer outra classe, existem profissionais excelentes, muito bons, bons, razoáveis, medíocres, maus, muito maus e péssimos.

Num universo bastante superior a cem mil docentes do ensino secundário existe uma pirâmide profissional de base alargada e de cume estreito. Quanto mais se sobe, melhor é a qualidade. E quanto mais nos acercamos da base, mais nos deparamos com incompetência, laxismo e indigência.

A luta dos sindicatos dos professores contra o País – eles querem fazer crer que é só contra o governo, mas não é – tem um único objectivo: inverter a pirâmide, pôr-lhe a base para cima e o cume para baixo. Por outras palavras: transformar o universo de mais de cem mil professores num exército só de generais e com meia dúzia de soldados meio analfabetos a servir de figurantes.

Como é que isto se consegue?

Muito fácil. A manobra estratégica assenta em dois conceitos chave. O primeiro chama-se “avaliação”. O segundo, “progressão na carreira”.

E como é que funciona?

Também é muito fácil. Primeiro adopta-se um modelo de avaliação sem consistência, sem credibilidade, e sem obedecer a critérios rigorosos e exigentes que produzam resultados justos e acima de qualquer suspeita. Depois, o que acontece com esta simpática “avaliação”, é uma coisa que não falha: uma incontornável e incomensurável generosidade. Uma generosidade tão generosa que, por golpes de magia, transforma quase todos os docentes em “bons” professores, num mundo educacional onde “não há rapazes maus”.

A etapa seguinte – uma vez que quase todos os sotôres e sotôras foram sendo avaliados como excelentes, muito bons e bons – é a da exigência de salários mais altos, aos quais, tecnicamente, chamam “progressão na carreira”.

Quando pela primeira vez ouvi falar desta exigência dos professores julguei que se tratasse de assegurar a legítima ambição de ascender a cargos ou a funções de maior relevo académico ou pedagógico, num contexto de maior enriquecimento profissional ou de dignificação da qualidade do ensino nas nossas escolas.

Enganei-me redondamente.

Na realidade, do que se está a tratar – pura e exclusivamente – é de dinheiro. Só de dinheiro. De mais dinheiro.

E já agora que falamos de dinheiro, vejamos qual é a outra face da moeda.

Tudo isto se passa num país onde o salário mínimo é de 475 euros, um dos mais baixos da Europa.

Tudo isto se passa num país onde os senhores professores e as senhoras professoras auferem dos mais altos salários europeus quando e se comparados aos dos seus colegas.

Esta é a realidade.

E dela se devia partir, de boa fé, para quaisquer negociações dignas desse nome entre sindicatos e governo. Ignorar essa realidade é uma afronta à dignidade e aos direitos sociais de milhões de portugueses que vivem – ou sobrevivem – abaixo da linha de água.

De um destacado militante comunista – como é o Secretário-Geral da Fenprof, Mário Nogueira – seria de esperar que, em matéria de dinheiros, tivesse mais em conta as necessidades de apoio financeiro e social aos mais de quinhentos mil desempregados, do que engordar os salários de mais de cem mil funcionários públicos, os quais, para além de já ganharem bem, têm ainda a valiosa garantia de não caírem no desemprego.

É que, os dinheiros do Estado – isto é, o dinheiro de todos nós – não chegam para tudo nem para todos. E a solidariedade ordena que se dê prioridade aos mais pobres e aos mais carenciados.

Entender, assumir, e praticar este princípio, seria uma atitude lúcida e patriótica que infelizmente ninguém está a ver em nenhum dos partidos da oposição.

E se, no Parlamento, se vier a ceder o que o governo não cedeu, a pergunta é: quem é que vai pagar a factura?

 PS – 1. Como entreguei este texto no dia 4, ignoro o que resultou da reunião que ontem se realizou entre os sindicatos e a ministra da educação. Gostaria de ter de vir a retirar o que aqui escrevi… mas não acredito em milagres.

2. O senhor professor Mário Nogueira já não dá aulas há mais de 20 anos. Foi alguma vez avaliado? Quem o avaliou? E que classificação obteve? Ou será que a avaliação é só para os outros?

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Publicado por on Jan 10 2010. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

19 Comments for “Avaliações + Progressões = +Dinheiro”

  1. Meu caro José Niza mais uma vez estou de acordo consigo.

    Um abraço

  2. Concordo. O estado pantanoso em que o país se encontar não se deve ao governo socialista, mas aos chorudos ordenados que os sotôres e sotôras auferem. Já os Senhores Doutores Médicos ganham vencimentos miseráveis que, a pouco e pouco, os vão atirando para a arrumação de automóveis.

  3. É de facto surpreendente que o Sr. Professor Doutor Niza já escreva pelo menos dois artigos neste jornal a "bater" nos professores (para ele sôtores e sôtoras, quase todos maus) e nos seus ordenados de luxo e nunca tenha escrito nada sobre os médicos deste país e os seus ordenados de miséria.

  4. Na educação e no ensino, como em qualquer outra classe, existem profissionais excelentes, muito bons, bons, razoáveis, medíocres, maus, muito maus e péssimos. Porque razão os Sr. Doutor NIza nunca escreveu sobre a classe dos médicos. Era giro.

  5. Podia limitar o meu comentário dizendo simplesmente: "Palavras para quê? É um comentarista nacional ou regional (tanto faz)…"

    Mas acho que, no caso concreto, tenho o dever de ir um pouco mais longe.

    Por certo que não foi o “modelo de avaliação sem consistência, sem credibilidade, e sem obedecer a critérios rigorosos e exigentes que produzam resultados justos e acima de qualquer suspeita” que foi agora acordado com o governo de José Sócrates.
    O modelo acordado foi aquele que o governo actual entendeu como melhor correspondendo aos desígnios nacionais.
    Em boa verdade, ninguém esperaria outra conclusão para este longo e absurdo processo litigioso.
    Qualquer destacado (ou não) militante de qualquer partido, desde que atento, seria capaz de vaticinar o sentido da conclusão deste processo.

  6. Como envelhecem mal estes socialistas que acham que os exploradores deste país são os professores que vivem do seu trabalho!
    Para além das mentiras e da falta de rigor presente no texto, assinalo a pobreza da argumentação: comparar o sistema educativo com a tropa, só de quem não percebe mesmo nada do que se passa dentro de uma escola.

  7. O que achará o Sr. Doutor José Niza da indigitação da girl Milu pelo seu colega Socras para presidir à FLAD? E de todos os outros boys que já foram nomeados? Esses ganham muito menos que os professores.

  8. O importante é saber administrar o dinheiro

    http://www.organizze.com.br

  9. 10 anos para tirar Medicina e queria ser catedrático. Hum … não me cheira.

  10. Próximo artigo:

    Serviços no Hospital+Consultas Privadas=Euromilhões

  11. Uma coisa me intriga. Se de facto os professores ganham tão bem, porque razão o Sr. José Niza não vai para uma dessas C+S dar umas aulitas para ver o que é bom? Não aguentava dois dias.

  12. Só lhe falta dizer mesmo que não há dinheiro para os enfermeiros porque os professores levam tudo.

  13. Exelente artigo. Como ex estudante, aluno com formação superior e habituado a lidar com os professores e até ex namorado de uma professora, so tenho uma coisa a dizer; Tudo certo no que este senhor disse, é de dinheiro qu estamos a tratar mais nada. O pior é estarmos a falar de um pais onde os alunos têm a pior formação da UE, se calhar é porque os alunos são burros!!!! Já agora senhores professors que têm estado a responder a este artigo, não se comparem aos medicos PFV, que são pessoas que têm 7 anos de estudos superiores com um grão de dificuldade que não se compara a praticamente quase todos os cursos superiores que servem para dar aulas ao secundario. Podem mandar areia para os olhos do povo, mas cuidado, nem todos são cegos. Os professores que conheço ganham bem, e tem um horario espetaculo!

  14. Lá por ter sido deixado por uma professora não é razão para vir para aqui destilar todo o ódio contra os professores. Para isso chega o Dr. Niza.

  15. Senhor Ze Pereira. Tenha dó!!! A dita professora tinha 3 dias de aulas por semana e aprendi muito sobre o mundo dos professores. Tinha sempre as Sextas Feiras Lives. Fartava-se de faltar as aulas, ele e as amigas. Faziam semrpe varias escursões pelo pais em autocarros, em que tinha vezes que eram mais os professores que alunos, pois nem todos têm dinheiro para a coboiada. Os alunos estão na escola para aprender não para a diversão! Acontece que conheco varios professores e os vossos horarios nem têm comentarios. Na realidade muitos professores nem sabem o que é um horario de 8 horas completas de serviço.! Não se sinta revoltado com os meus comentarios, sei que está e por isso estar a fazer provocações! É triste, mostra como é a personalidade dos nossos professores, não basta ensinar os alunos, deveriam tentar dar tambem um pouco de educação e ensinar a ouvir diferentes opiniões algo que o senhor nem imagina o que estou a falar né !? Pensar que com os meus impostos ainda tenho que lhe pagar o ordenado….efim é o pais que temos!

    • O teu comentário só mostra que não sabes que o trabalho de um professor não acaba quando sai da sala de aula ou até mesmo da escola… Além de não acabar, não é pago (correcções e afins). O atendimento aos pais é muitas vezes pelo telefone e durante a hora do jantar…

  16. Os professores do ensino público português dão mais horas de aulas por ano (684 a 855) e passam mais tempo na escola (1261 horas) do que a maioria dos colegas da OCDE e da União Europeia (a 17). Isto, com um calendário escolar mais curto. Ou seja: têm menos dias de trabalho anuais. Mas acabam por fazer mais horas. Os números constam do relatório Education at a Glance 2009, da OCDE, e baseiam-se em dados de 2007.

  17. Três dias de aulas por semana. Hein. Quanto ao horário dos professores pode ler:
    OCDE
    Professores portugueses têm dos horários mais carregados
    http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?c…

    Mai nada.

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