Alerta amarelo torrado
Opiniões online Sábado, Janeiro 9th, 2010Por: Eurico H. Consciência
Os tempos vão tontos. Dias antes do Natal, com intervalo de horas, passámos de temperaturas negativas a temperaturas primaveris, logo enroladas por ventos fortes, ao som dos quais estou escrevendo. À luz duma vela comprada no comércio justo, que dá uma luz excelente e dura, dura, dura… Foi coisa que aprendi com a EDP, anos atrás: velas e fósforos na cozinha e na sala, fósforos e velas nos quartos e nas casas de banho e velas no escritório (onde há isqueiros), porque, até há poucos anos, mal soprava algum ventinho mais forte ou pingavam umas dúzias de gotas de chuva, a EDP do Centro dizia-nos Até logo, para regressar minutos depois, para se tornar a despedir daí a nada por longas horas.
As coisas melhoraram e, com a ventania que faz neste momento, até absolvo a EDP.
De resto, agora temos uma coisa que nos manda alertas a toda a hora. Alertas vermelhos, amarelos, laranjas, azuis, sei lá. Não fixei. São os Serviços de Protecção Civil que fazem esses alertas.
Quando comecei a escrever esta crónica à luz das velas, por não ter luz que me permitisse trabalhos mais severos, lembrei-me dos alertas de que já falei, imediatamente depois de ter visto na TV, de madrugada, um programa sobre a nossa situação económico-financeira.
Nesse programa, um cidadão que prezo muito, chamado Henrique Neto, lembrava outra vez que estamos muito mal, que corremos grandes perigos, que a nossa crise, com rigor, começou há 11 anos, mas os políticos continuam a mentir-nos, a enganar-nos, agora com o bordão da “crise internacional”, e caminhamos para o desastre com os políticos todos contentes, ridentes e sorridentes, a dizerem-nos que tudo está bem e que até já está a melhorar a economia, que não tardará que acelere ao ritmo dos Audi’s, Mercedes e BMW que nós pagamos aos nossos caros governantes e seus assessores e consultores e a outros estupores.
E daqui e por isso proponho que, a par dos Serviços de Protecção Civil, se criem Serviços de Protecção Cívica contra os Políticos Profissionais que façam os alertas que esses políticos calam e enrolam e calarão enquanto não virem o fundo das suas gamelas.
Proponho para Presidente o cidadão Henrique Neto, assessorado pelo cidadão Ferraz da Costa (que sabe que esses políticos ignoram as realidades deste povo submisso que caminha com passo firme para a bancarrota). E ofereço-me para secretário. Claro que não quero ordenado, nem automóvel, nem cartão de crédito, nem ajudas de custo, nem senhas de presença. Basta-me o gozo que está vedado aos nossos políticos profissionais: a satisfação do dever cumprido.
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Acabou-se a crónica e acalmou-se o vento, mas a luz não voltou.
Reparem: se não tivesse sido iluminado pelas velas que comprei no comércio justo por motivações de solidariedade com os povos do terceiro mundo, Portugal, com toda a probabilidade, não teria os imprescindíveis alertas dos Serviços de Protecção Cívica contra os Políticos Profissionais que devem ser criados imediatamente …
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