A revista Colóquio
Opiniões online Sábado, Janeiro 30th, 2010Por: Armando Fernandes
Entre as revistas mais relevantes da cultura portuguesa figura certamente a Colóquio. No entanto, a sua alta qualidade não tem correspondência em termos de aceitação pelo público leitor das Bibliotecas em geral, e das Escolas em particular.
Desde há muitos anos que procuro contrariar tão errada atonia, faço-o mais uma vez através deste artigo. A pretexto de o poeta (e não só) Nuno Júdice ter assumido a sua direcção há escassos meses, e a Colóquio ter retomado a publicação regular, “num ritmo quadrimestral”. Para melhor saber quais as mudanças em curso pedi e tive uma larga conversa com o autor de “A Noção de Poema”, disparando perguntas sobre perguntas, às quais amável e pacientemente respondeu.
Fiquei a saber das suas preocupações no referente a tornar a Colóquio mais acessível a todos os públicos leitores, sem perder as características que a tornaram respeitada em todos os círculos intelectuais dos cinco continentes. Continuando a privilegiar a prosa, a poesia, o ensaio, sem esquecer a história literária e as recensões relativas às obras que vão sendo editadas, também serão publicados textos de registo cronístico e entrevistas. A preocupação pelo rigor e clareza da escrita de forma a os leitores menos pacientes não ficarem entendiados continuam a ser marca prioritária de uma publicação que ao longo dos seus já 172 números concentra o que de mais excepcional existe no universo literário da língua portuguesa.
O apuro gráfico e artístico não serão descurados, como é flagrante exemplo o último número cuja capa resulta de uma montagem com desenhos de Graça Morais.
A Colóquio tem uma tiragem de 2000 exemplares, sendo oferecidos 700 às bibliotecas do ensino superior, secundário e públicas. Por essa razão professores, alunos e leitores em geral não podem justificar a sua não leitura, tecendo argumentos serôdios acerca do custo e/ou acesso a ela. Além disso, através da Internet podem escolher os temas e conteúdos do seu interesse.
Têm sido positivas as reacções às modificações operadas, mas mais importante do que isso, é aumentar o número de leitores de modo a ser considerada como instrumento imprescindível no combate à galopante iliteracia, e na formação e desenvolvimento do gosto pela leitura.
Nas bibliotecas deve estar em lugar saliente no espaço reservado às publicações periódicas, os professores devem-na ler e recomendá-la aos alunos. Não estão a fazer nenhum favor, apenas praticam um acto de justiça.
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