O Centro de Ciência Viva de Constância foi uma das obras apoiadas pela Tagus
Começou por se chamar ADIRI – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior e tinha o objectivo de apoiar projectos que promovessem o desenvolvimento do mundo rural nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal. Depois, como a sigla não vendia, os responsáveis resolveram mudar o nome para Tagus, uma associação ligada a uma marca, o nome romano do rio Tejo.
Esta foi uma das associações criadas pelo PDAR (Plano de Desenvolvimento Agrícola Regional) e chegou a incluir os concelhos de Mação e Gavião que, após os reordenamentos administrativos, passaram a fazer parte do Pinhal Interior Sul e Norte do Alentejo, respectivamente. Apesar das alterações que foram acontecendo, a génese inicial da Tagus tem-se mantido, garante Pedro Saraiva, coordenador técnico da estrutura.
A Tagus é hoje a entidade referência na recepção de candidaturas ao programa LEADER nesta região e Pedro Saraiva salienta que cerca de 60% dos projectos apresentados são avaliados e aprovados localmente. “Há uma grande proximidade com os promotores, e mesmo quando existem projectos que não têm enquadramento dos programas é de imediato passada a informação de outros programas que existem noutras estruturas como o Nersant ou o Instituto do Emprego e Formação Profissional”, salienta Pedro Saraiva.
Miguel Borges, vice-presidente da Câmara Municipal de Sardoal, detém actualmente a presidência da direcção da associação. Eleito depois das últimas eleições autárquicas, Miguel Borges ainda está a tomar pulso à instituição e realça a importância da Tagus e o papel que tem tido principalmente junto das pequenas empresas e associações locais.
Abordagem Leader tem 9 milhões para investimentos
Neste momento a Tagus tem abertas candidaturas para uma primeira fase do programa Abordagem Leader. São nove milhões de euros de verba a aplicar no desenvolvimento do mundo rural destes três concelhos. As candidaturas poderão ser feitas até ao dia 15 de Dezembro.
Nesta nova abordagem as linhas que a Tagus vai gerir passam pela diversificação de actividades na exploração agrícola (600 mil euros programados); criação e desenvolvimento de microempresas (2 milhões de euros), desenvolvimento de actividades turísticas e de lazer (2,2 milhões de euros), conservação e valorização do património rural (2, 4 milhões de euros), serviços básicos para a população rural (1,2 milhões de euros).
Um dos projectos dinamizados por esta associação foi o InSitu, um istema de informação turística que permite aos visitantes conhecer os monumentos quando mesmo quando estes se encontram fechados ao público, ou ainda visitar a região e os concelhos sem necessitar de acompanhamento de guia turístico ou técnico dos municípios. Tudo através de uma componente auditiva à qual foi acrescentada uma componente visual disponibilizada em vários meios, incluindo a internet.
Associação já apoiou projectos de 7,7 milhões de euros
Ao longo de 16 anos de existência, a Tagus apoiou 214 projectos de empresas, associações e entidades públicas. Entre 1995 e 2007, período dos anteriores programas Leader a associação financiou projectos no valor de 7,7 milhões de euros nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal.
Projectos apoiados
Ciência Viva em Constância
Em Constância, a associação interveio no apoio ao projecto do Centro de Ciência Viva- Parque de Astronomia. Um projecto que, apesar de não estar directamente relacionado com ruralidade ou agricultura, se enquadrou neste programa pelo seu papel no desenvolvimento de um concelho do interior com marcas de ruralidade.
Nesse sentido o seu promotor, a Câmara Municipal de Constância, apresentou três candidaturas ao programa L2, da Tagus, num total de investimento de quase 230 mil euros, nomeadamente para a construção do planetário, para a criação do observatório astronómico e da natureza e para a aquisição de equipamentos para estas estruturas. Máximo Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Constância e responsável pelo Centro de Ciência Vida, sublinhou o papel destes apoios da Tagus não só na construção mas também ao nível dos projectos.
Artelinho em Sardoal
Outros dos projectos apoiados pela Tagus foi a Artelinho, cooperativa da freguesia de Alcaravela, no concelho de Sardoal, constituída apenas por mulheres.
A braços com problemas de sustentabilidade, apresentaram duas candidaturas ao Leader +, uma para apoiar a produção de linho e vime e outra para a construção de um forno de lenha para aumentar a produção de pão caseiro.
Os dois projectos representaram, cada um, investimentos na ordem dos oito mil euros. Noélia Rafael, da Artelhinho, sublinha que sem este apoio a cooperativa não tinha “dado o salto em termos de sustentabilidade”.
Vinhos Casal da Coelheira
O Centro Agrícola de Tramagal, que produz os vinhos Casal da Coelheira e Terraços do Tejo, foi uma das entidades beneficiadas por estes apoios. Apresentou uma candidatura no âmbito do programa Leader + para a melhoria da capacidade de transformação da adega, um projecto que, segundo Nuno Falcão, gerente da empresa vinícola, teve o objectivo de melhorar as tecnologias de vinificação introduzindo sistemas mais adequados à produção de vinhos de alta qualidade.
Como a empresa tem tido sucesso em termos comerciais, houve a necessidade de aumentar a vinha e aumentar a capacidade de laboração da adega existente. Nova candidatura aprovada que representou um financiamento de 100 mil euros, comparticipados pelo FEOGA e pelo Ministério da Agricultura.
Jerónimo Belo Jorge
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