A greve de fome da Sahauri Aminetu Haidar
Notícias do leitor Sexta-feira, Dezembro 18th, 2009
Por: Carlos Eduardo da Cruz Luna
Confesso que as notícias recentes sobre a greve de fome da sahauri Aminetu Haidar me chocaram. Como é possível que a Comunidade Internacional pareça ter esquecido a Questão do Sahará Ocidental (RASD), tanto mais que tem óbvias semelhanças com Timor-Leste?
Por tudo isso… muito mais chocam as reacções de alguns analistas e de muitos leitores de jornais e blogues. Em linhas gerais, vários, não maioritários, mas em número significativo, defendem a chamada «Realpolitik», isto é, que o que está feito, está feito, e que não vale a pena falar-se dos Direitos do Povo Sahauri, e que se perde tempo com estas causas. Há quem chegue a dizer que, sem petróleo ou outras riquezas em causa, ninguém se importa, a não ser idealistas ultrapassados.
O que o caso de Aminetu Haidar prova é que há causas pelas quais vale a pena lutar…
e, talvez, infelizmente, morrer. A liberdade dos povos não está morta, o Direito Internacional tem de ser respeitado. Pouco importa que seja no Irian Jaya (Nova Guiné Ocidental), no Curdistão, no Sahará (RASD), em Olivença, na Irlanda do Norte, ou em qualquer ponto do globo onde subsistam situações coloniais, de desrespeito pelos Direitos Humanos, de violação do Direito Internacional. E não há perspectivas de real progresso sem que tal se verifique.
Engana-se quem pensa que basta garantir prosperidade económica para que os povos se calem. O ser humano não se reduz a uma mera máquina consumista. Que o diga a Bélgica, um dos países mais prósperos do mundo, onde as divergências entre duas entidades se discutem de forma tão exaltada.
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[...] Por: Carlos Eduardo da Cruz Luna, no site O Ribatejo [...]