
A Quinta do Valle da Louza, no lugar de Sentieiras, entre Abrantes e Sardoal, e por onde Bocage passou largas temporadas, vai agora ser alvo de um projecto de requalificação ao longo dos próximos dez anos, com obras orçadas em cinco milhões de euros.
Na posse da mesma família ao longo de muitas gerações, a quinta foi adquirida pelos empresários Carlos e Alexandra Sousa, pela “afectividade, paixão pelo espaço e pela história do local”, e com o objectivo de “criar um núcleo museológico visitável a partir casa primitiva e original” de Manuel Constâncio, médico-cirurgião da rainha D. Maria I.
A secular propriedade, projectada e concebida na segunda metade do século XVIII por Manuel Constâncio, “serviu também de acolhimento a Bocage, poeta que, além de amigo da família era frequentador assíduo da quinta, durante uma das suas fugas políticas”, disse Carlos Sousa.
Segundo o empresário, a casa principal “ainda preserva a traça, os materiais e toda a configuração inicial da sua construção, abarcando e mantendo intactas todas as memórias das suas origens”.
Carlos Sousa afirmou à Lusa que “as prioridades” do projecto passam pelo “reforço do património histórico”, com “aprofundamento da pesquisa histórica sobre personagens e identificação e sinalização de lugares e percursos, a recuperação das várias fontes e repuxos, o restauro do lago dos ‘recortes’ e a recuperação e revitalização dos jardins”.
“Vamos ainda fazer a reconstrução do labirinto existente, segundo o mesmo padrão do século XIX, o restauro dos azulejos setecentistas da casa primitiva, do altar e da capela de talha dourada, com as respectivas pinturas, para além de mobilar à época o quarto de Manuel Constâncio e do sótão que acolheu Bocage”, afirmou.
Considerado recentemente como “projecto-âncora”, no âmbito do consórcio “Mercados do Tejo“, o projecto de Desenvolvimento Integrado Louza XVIII-XXI viu aprovada a primeira fase de intervenção, orçada em 2,3 milhões de euros.
Para Carlos Sousa, “a sustentabilidade do projecto tem de assentar na diferença da oferta e na fuga a produtos que sugiram conceitos de padronização e massificação”.
“O núcleo primitivo construído no século XVIII, e agora em requalificação, poderá ser alugado, mesmo em regime semi-prolongado, para quem busque a tranquilidade e isolamento, ou para quem esteja empenhado num trabalho literário ou académico”, disse.
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