A face do costume, também na “Face Oculta”
Notícias do leitor Sexta-feira, Novembro 13th, 2009
Por: Fernando Soares – Santarém
A face do costume, também na “Face Oculta”
A operação “Face Oculta” conseguiu ser notícia só após meio ano de investigação e quando já tinha constituído 15 arguidos. Um trabalho de sigilo notável num país que habitualmente anda a reboque das manchetes dos jornais.
Acontece que a mesma “Face Oculta” – que ironicamente adoptou o nome de um bar de alterne em Aveiro, local central desta investigação – apanhou nas gravações conversas entre o arguido Armando Vara e o primeiro-ministro José Sócrates. Conteúdo marginal à investigação, mas alegadamente suspeito de ilicitude, segundo o que se vai insidiosamente comentando por aí. Da “face oculta”, passou-se assim à face do costume: a de José Sócrates, o mais pantomineiro e corrupto dos governantes que já tivemos ou o mais injustiçado, à escolha do freguês.
Depois de cinco anos de Freeport, ainda sem acusação à vista, temos agora o caso das escutas. O país não aguenta este constante labelo de suspeição sobre um chefe do governo. Embora os comentadores se deliciem e, por vezes, nos deliciem com o caso, o prejuízo para o país é enorme. Tanto cá dentro como fora de portas. A justiça tem a obrigação de nos esclarecer. Antes que a opinião publicada torne inútil qualquer esclarecimento, por demasiado extemporâneo.
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