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A espuma dos dias:Estação Zootécnica Nacional

armando fernandes

Por: Armando Fernandes

“Em Julho, a Stella convidou-me para assistir ao seu casamento com o Miguel. É bonita, activa e inteligente. Daí, após resposta positiva, numa anotação à margem deixei a interrogação: sendo inteligente porque raio ia casar? Porque sim, respondeu sem entrar em explicações exorbitantes. O casamento teve lugar na Igreja do Vale de Santarém, festejando-se numa cavalariça das instalações da Quinta da Fonte Boa – Estação Zootécnica Nacional.

A última vez que tinha estado na Fonte Boa aconteceu durante a realização de um colóquio relacionado com as cidades taurinas, convidado pela hoje secretária de Estado Idália Moniz. Na altura, o visto deixou-me óptima impressão a condizer com o prestígio alcançado por aquela instituição de ciência, investigação e ensino. O agora observado suscita-me diversas interrogações.

Como é possível património tão valioso estar ao abandono? Como é possível permitir-se a degradação de espaços daquele calibre? Como é possível campear o desleixo e a rugosa destruição de instalações inteligentemente concebidas para actividades de equitação de todos os géneros? Foi aí, pela recíproca paixão pelos cavalos, que os noivos se conheceram. Para lá do romance com final feliz – assim o desejo –, interessa-me saber para poder apreender as razões que sustentam o declínio da Estação Zootécnica Nacional, cuja importância era (é?) inquestionável nas áreas do conhecimento da sua esfera.

O que aconteceu? Deixou de ter interesse? Estagnou no referente à investigação e à formação? Os seus cientistas e investigadores estudam e publicam pouco? Faz-se pouca formação naquela unidade de pesquisa e técnica? Está desacreditada na comunidade científica? Enquanto decorreu o ágape deambulei pelos diversos espaços, perscrutei a paisagem envolvente, colhi uma impressão de definhamento tão incrustada quanto o musgo nas pedras, estive no picadeiro, soube do facto de ter sido o pai da noiva que tratou de mandar pintar o local onde estivemos.

Os governos vêm e vão, os ministros podem ter sido displicentes, seguramente foram, em relação à Estação Zootécnica, importa emendar a mão não no sentido de serem criadas dependências, sim na perspectiva de uma reabilitação daquele todo de forma a voltar a ser o ponto visível que já foi. Acaba de ser empossado como secretário de Estado um homem conhecedor do actual estado de coisas. Chama-se Rui Barreiro. Para principiar bem, esperemos, eu espero dele urgente e vigorosa atitude nesse sentido.”

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Publicado por on Nov 6 2009. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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