A espuma dos dias: As duas faces
Opiniões online Segunda-feira, Novembro 23rd, 2009
Por: Armando Fernandes
Os episódios sucedem-se em torno da Face Oculta. À medida que mais lemos, menos sabemos. As situações descritas podem ser a da simples normalidade, na anormalidade quotidiana de cenas arrancadas à vida política a fazerem estremecer de pavor os cidadãos escandinavos. A produzirem gargalhadas ferozes nos rostos facetos de espanhóis, gregos e em maior grau dos italianos. Povos filhos da civilização, enquanto os do norte o são da cultura.
Todos fingimos deter um segredo, uma informação, um conhecimento das motivações dos actores principais e respectivos comparsas. Divagamos muito, em parte pela morosidade, impotência e guerrilhas instaladas no universo da justiça. Os seus lúcidos críticos recebem condenações na praça pública.
A justiça talvez tenha tirado a venda, o que viu deixou-a perturbada, turvada, incapacitando-a para voltar a colocar a faixa de pano por cima dos olhos. A singeleza e austeridade desapareceram no seu reino. Alguém, imbuído da necessária autoridade, tem de a vendar novamente. Mas quem?
As centrais de informação especialistas na desinformação desfazem as ilusões de grandeza moral de espíritos simples, jornais pró e contra não deixam margem para dúvidas sobre os interesses que os movem e defendem.
A história da imprensa em Portugal está pejada de jornais colocados ao serviço de todo o tipo negociatas, mais irá registar em relação ao tempo presente. Nem as secções de cartas ao director escapam às estratégias delineadas. O leitor esteja atento; veja a repetição dos firmantes e os temas por eles defendidos ou condenados.
É um exercício penoso, no entanto rende preciosas informações sobre a linha editorial seguida. Na percepção de bastantes de nós, estamos a viver um período melindroso pois as instituições estão a ser corroídas nos seus fundamentos e travejamentos democráticos. Os melancólicos espavoridos refugiam-se nos livros, entoando preces e cantando hossanas porque pertencemos à Comunidade Europeia. Senão, há muito que tínhamos tido uma quartelada, e alguns rangem os dentes, por não ser possível.
Estaremos condenados a nunca sabermos a verdade? Estaremos obrigados a encolher os ombros enquanto aludimos aos brandos costumes? Estaremos obrigados a participar numa política de mendicidade baseada no amiguismo partidário? Nunca chegaremos ao estádio da face visível, limpa, refulgente de pureza? Os folgazões divulgam no ciberespaço anedotas picantes em torno do caso. Apesar de não estarmos em época de divertimento.
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