“Fui nitidamente alvo de uma cabala organizada por miúdos ávidos de dinheiro e outras coisas, para alimento dos seus vícios”, afirma o ex-chefe da secretaria da EB 2,3 de Alcanede, detido no passado dia 3 de Outubro por suspeitas de estar envolvido em actos pedófilos com menores do sexo masculino, entre os 12 e 14 anos.
Esta é um dos desabafos de Fernando Vitorino que se podem ler na carta “Alcanede – A Mal Amada”, que o próprio enviou para publicação num portal on-line daquela freguesia do concelho de Santarém.
“A minha vida terminou no passado dia 3 de Outubro”, escreve o arguido, a aguardar julgamento em prisão preventiva nas instalações da Polícia Judiciária.
Acrescenta não se sentir “100% culpado”, mas confessa que se sente “sujo, vazio. Sinto que nunca mais vou conseguir olhar, olhos nos olhos os meus amigos”.
“Sinto-me um traidor da confiança que tinham em mim e do valor que me atribuíam e que agora concluíram ser inócuo”, considera Fernando Vitorino, de 56 anos, pedindo perdão e que transmitam o recado aos colegas com quem conviveu.
Na prisão, o ex-funcionário da escola de Alcanede diz que passa o tempo a ler e a escrever “para manter o cérebro em actividade”, sobretudo jornais e revistas desactualizadas, pois nem os resultados das eleições sabe.
“Estou completamente afastado do mundo. Talvez seja isso que mereça”, desabafa Fernando Vitorino nas últimas linhas da carta, escrita no dia 22 de Outubro.
Notícia desenvolvida na nossa próxima edição em papel.
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