Ilações autárquicas

Jose Niza_2009

Por: José Niza

 ”Em Santarém, o PS bateu no fundo.

Esperava, desde há muito, uma derrota digna e aceitável. Mas não uma humilhação desta dimensão: – entre o PSD e o PS há 43% de votos de distância!

O enorme mérito de Francisco Moita Flores não explica tudo.

E o PS de Santarém não é “isto”.

A Comissão Política Concelhia – a começar pelo seu presidente – deveria ter-se demitido na noite das eleições. Era o mínimo que poderia fazer para sair com alguma honra, e com o respeito do partido. O futuro está agora, mais do que nunca, nas mãos de todos os militantes. Eu sou um deles. Aquele que, em 1974, foi o primeiro presidente da Assembleia de Militantes da Secção de Santarém. Não tenho ambições políticas, claro que não! Mas, da mesma forma que saí do recato da lareira para ser mandatário distrital de Manuel Alegre nas presidenciais de há quatro anos, também agora sinto que é chegada a hora de contribuir para um novo PS em Santarém. É chegado o momento de uma reflexão conjunta e realista, de convocar os novos e de os apoiar com estímulo, carinho e experiência política vivida. Porque o PS tem que ter um futuro em Santarém. E eles e elas são o futuro do PS.

Voltarei a este tema na próxima semana.

Moita Flores – Há muitos meses, numa cerimónia pública de apresentação de um livro, declarei que Francisco Moita Flores merecia continuar como Presidente da Câmara de Santarém. Isto é, disse uma evidência. O resultado histórico que conseguiu é a consequência natural do reconhecimento popular pela notável obra que, em apenas quatro anos, construiu – e está a construir – em Santarém.

Luisa Mesquita – Com ela era a CDUma. Agora é a CDZero. É a vida…

Lisboa – Uma vitória extraordinária de António Costa e do PS. Uma maioria absoluta conquistada a uma direita toda coligada e a uma esquerda toda dividida. Uma vitória contra a assumida chantagem do PCP e contra a hostilidade pseudo-revolucionária do Bloco de Esquerda, cada vez mais parecida com o delírio do declínio do PRD.

Santana Lopes – Será desta? Será que é desta vez que o homem vai perceber que está a mais na política portuguesa? Será que a sua definitiva saída de cena não constituiria um benefício ecológico? Ou será que, daqui a quatro anos, se vai candidatar a uma Junta de Freguesia?

Vamos às contas nacionais – É só fazê-las. Numas eleições em que todos dizem que ganharam, há sempre uns que ganharam mais do que os outros, como é o caso do PS. Senão, vejamos: maior número de votos; maior número de mandatos; 131 Câmaras. O PSD diz que ganhou a maioria das Câmaras, 138. É uma meia verdade. É que, em 22 delas, o PSD concorreu em coligação com o CDS/PP e outros micro-partidos. Em metade destas Câmaras o PSD nunca ganharia sozinho. Donde, feitas as contas, o PS sozinho ganha ao PSD sozinho. Não é assim, Paulo Portas? E onde está o teu quinhão?

Alpiarça – Se isto fosse uma brincadeira, Vanda Nunes seria a primeira a rir. O duplo desastre alpiarcense poderia e deveria ter sido evitado. Para isso bastaria que a ex-presidente fosse candidata à Câmara, e Sónia Sanfona recandidata a deputada. Porque é que coisas tão simples e evidentes se transformam em desastres irreparáveis?

Rio Maior – Meu caro Silvino: como é que não aprendeste com o Fernando Gomes? É que o cargo de presidente de uma Câmara não é um vai-vem espacial. Mesmo assim, o mérito do que fizeste em Rio Maior já ninguém to tira.

Ourém – Água mole em pedra dura… Amigo Paulo, um abraço. Conseguiste conquistar o inexpugnável Castelo de Ourém. Em política não há impossíveis.

Elege que é ladrão – Será que um autarca populista e corrupto merece mais votos do que um candidato honesto e competente? Em Oeiras e Gondomar é esta a lei que a generosa democracia eleitoral instituiu por mais quatro anos. Em Felgueiras e Marco de Canaveses reinou finalmente o bom senso. Já foi pior…

Mártires da Pátria – Quando é para ganhar, todos se perfilam, todos aparecem, todos se empurram uns aos outros. Quando é para perder, é mais difícil: é preciso ter coragem, dar o corpo ao manifesto e levar porrada. Por isso, para aqueles que em Santarém deram a cara sabendo que iam para o martírio, aqui fica a minha solidariedade. A começar pelo António Carmo.”

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1 Comentário a “Ilações autárquicas”

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