Cruzeiro no Tejo apela ao fim dos transvases espanhóis e da poluição
em destaque, twitter, Últimas Sábado, Outubro 17th, 2009
Cerca de uma centena de pessoas subiu o rio Tejo, num cruzeiro em três embarcações, desde o Parque das Nações em Lisboa até à localidade de Valada no Cartaxo, numa acção em defesa do rio Tejo, promovido pelo movimento português ProTejo em conjunto com o consórcio de candidatura da cultura avieira a património nacional e com várias associações espanholas similares.
O “Cruzeiro contra a indiferença” terminou na aldeia avieira das Caneiras, em Santarém, onde se concentraram também activistas do Greenpeace, membros da Plataforma para a Defesa do Tejo e do Alberche, de Talavera de la Reina, a Plataforma de Toledo em Defesa do Tejo e da organização de âmbito ibérico Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água no Tajo/Tejo e seus Afluentes.
No recinto de festas das Caneiras podiam-se ler tarjas com a mensagem “O rio não é um esgoto”, colocadas pela Greenpeace. Alguns activistas espanhóis lamentavam o facto do rio Tejo estar quase sem água nesta zona mas salientavam que em Toledo a situação não é melhor.
Na mensagem lida por Paulo Constantino, porta-voz do movimento Protejo, são reivindicadas medidas que permitam uma “unidade na gestão da bacia hidrográfico do Tejo, em Espanha e Portugal”. O grande receio deste movimento, e também dos seus similares espanhóis, é que, para além dos transvases que já existem entre Buendia e Murcia e entre o Tejo e o Guadiana, seja agora construído um novo transvase do Tejo Médio, entre Valdecañas e o outro transvase que liga Buendia a Múrcia.
Um dos responsáveis e representante da plataforma de movimentos espanhóis em defesa do Tejo, Miguel Mendes, receia ainda que seja levado por diante a construção de um transvase entre um afluente do Tejo, o rio Tietar, e a zona de Valdecañas, retirando assim ainda mais água limpa do rio, que nesta zona “está cheio da porcaria de Madrid e arredores”, salienta o activista espanhol.
No manifesto é ainda defendida “a garantia de um bom estado das águas do Tejo”, que permita cumprir a Directiva-Quadro da Água europeia, assim como é proposto que seja estabelecido e fiscalizado o cumprimento de um regime de caudais ecológicos que permitam o funcionamento dos ecossistemas do rio. São também pedidas alternativas aos transvases que, na óptica de Miguel Mendes, só servem para “sustentar uma agricultura sem sustentabilidade” na zona de Múrcia e também para “servir projectos de especulação imobiliária” junto ao Mediterrâneo. “O rio não está seco só em Portugal, está também na zona de Talavera e até na parte mais alta do rio, junto à nascente”, salientou o porta-voz da plataforma espanhola. Este dirigente apelou ainda a que em Portugal se realize uma manifestação à semelhança da que juntou cerca de 40 mil pessoas em Talavera de la Reina. Paulo Constantino, do movimento Protejo, apelou também a que o Governo português “faça pressão sobre Espanha para que se realize um projecto comunitário de investigação científica que dê alternativas aos transvases”.
A despoluição do rio e o seu desassoreamento também estão entre as propostas deste manifesto, cujos signatários defendem também o fim da pesca ao meixão (enguia bebé) e a abertura de canais de passagem para os peixes junto das barragens.
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Acabo de ler esta noticia, que muito me interessa precisamente no dia em que visitei as renovadas “Portas de Sol”, só a água do Tejo está a desfiar, são negras quase pretas provavelmente provenientes essencialmente do Alviela o primeiro Rio afluente a montante da ponte D. Luís a escassos quilómetros deste ponto. Não estranho este facto, pois ainda no passado dia 8 alertamos as entidades competentes para o agravamento da poluição nos dias que se sucederam as primeiras chuvas deste Outono e que provocaram morte de peixe em Vale de Figueira, no dia 11 dia das eleições autárquicas.
É grande a expectativa criada com o inicio de algumas obras em Alcanena e as que estão anunciadas ao longo do rio é esta a última oportunidade para se cumprirem as directivas comunitárias sobre a água.
Firmino Oliveira