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As eleições

armando fernandes

Por: Armando Fernandes

Em Portugal há dois grandes partidos. O grosso do povo português ou vota nos socialistas, ou nos laranjinhas. Nesses votos há muita devoção. Os partidos pequenos jogam na esperança de serem o fiel da balança, especializando-se na captação dos descrentes, dos que ficam a ver navios por causa do desemprego, de todos quantos sabem fazer alguma coisa mas não ganham para batatas, além dos fiéis faça vento ou ribombe o trovão.

O povo – exímio no premiar ou dar um cachação, raramente se irrita a valer, a excepção terá sido o PRD –, consegue a proeza de brincar ao ponto de no último momento tirar da mão o bombom a um menino rabino – Francisco Louçã – e colocá-lo na boca de um travesso – Paulo Portas.

Nas eleições de domingo passado o intruso atrevido foi o dito Portas, ganhou gordo saco de berlindes a possibilitar jogo maioritário caso escorregue em direcção aos socialistas, não é a primeira vez, pois quem não arrisca não petisca, além de no futuro o povo, nas suas imprevisíveis brincadeiras, o poder castigar severamente.

Assinale-se o feito dos comunistas, mantêm o eleitorado, ganham mais um deputado. O primeiro rescaldo das eleições está adiado até à próxima semana por causa das autárquicas, no entanto, não duvido da possibilidade de já estar encomendado o “Requiem pela princesa Manuela”, faltando agora saber-se a data precisa da cerimónia do adeus, à qual não faltarão os interessados na sucessão e os por ela preteridos, sem esquecer Santana Lopes e Filipe Menezes.

No PS o pós-Sócrates apesar de continuar a ser discutido nas catacumbas o número de catecúmenos vai aumentar. Uns pândegos socialistas cometeram a gafe (?) de cantarolarem: a luta continua, Cavaco para a rua. Na hoste laranjinha muitos sussurram palavras azedas contra o Presidente da República atribuindo-lhe a autoria de um grande favor a Sócrates, será interessante vermos as formas simbólicas empregues por Cavaco para nos transmitir o conhecimento da realidade sobre as escutas.

O professor Aníbal só avançará para a recandidatura caso tenha a absoluta certeza de ganhar, daí a fulcral importância da convincente e racional explicação do mistério, pois a manter-se a dúvida, o poeta Alegre sai da efabulação poética e passa à acção prática, não lhe faltando meios e na altura certa o abraço de reconciliação prodigalizado por Mário Soares, extremoso pai da família socialista.

Ele nunca falha nos momentos difíceis.

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Publicado por on Out 5 2009. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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