2009 com menos área florestal ardida
em destaque, twitter, Últimas Segunda-feira, Outubro 19th, 2009
O balanço dos fogos florestais no distrito de Santarém é este ano “extremamente positivo”, disse hoje o Governador Civil, sublinhando que o desafio é manter um valor de área ardida (256 hectares) que “dificilmente pode ser igualado”.
Joaquim Botas Castanho atribuiu este resultado à capacidade de resposta do comando distrital de protecção civil, mas também à reorganização introduzida no sistema depois dos anos “dramáticos de 2003 e 2005”.
O comandante distrital de operações de socorro, Joaquim Chambel, disse apresentar os números deste ano “com satisfação mas também com muita preocupação”, pela noção de que são “perfeitamente insustentáveis”.
Para Joaquim Chambel, se as alterações realizadas nos planos da prevenção e do combate foram rápidas, a preocupação mantém-se em relação às alterações estruturais, sendo necessário incrementar as medidas em matéria de “ordenamento do território, criação de mosaicos e de faixas de gestão de combustível”.
“Há trabalho feito a este nível no distrito”, disse, referindo nomeadamente as Zonas de Intervenção Florestal, mas “ainda está longe do desejável”, frisou.
Segundo disse, na última reunião semanal do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém foi decidido realizar, durante o Inverno, acções de “fogo técnico” para reduzir a carga combustível existente no terreno, para evitar situações complicadas no próximo ano.
O distrito de Santarém apresenta “um índice de seca acumulado preocupante”, afirmou.
De 01 de Janeiro a 11 de Outubro de 2009, o distrito de Santarém registou um total de 802 ocorrências, tendo ardido 162 hectares de área de floresta (114 de povoamentos e 48 de mato) e 94 de área agrícola.
Embora se tenham registado mais 26 ocorrências que em igual período de 2008, no ano passado a área ardida foi superior (937 hectares, 752 em áreas de povoamento).
No período de 01 de Janeiro a 11 de Outubro deste ano, apenas um incêndio ultrapassou os 10 hectares de área ardida, na freguesia de Arrouquelas, concelho de Rio Maior (13,4 hectares).
Joaquim Chambel referiu ainda o elevado número de falsos alertas (120), que originaram movimentação de meios.
O distrito conseguiu ainda um bom resultado em termos de tempo de chegada do primeiro meio depois de dado o alerta, situando-se a média entre os 7 e os 12 minutos (muito abaixo dos 60 minutos estabelecidos como meta a atingir até 2011), embora se tenham registado algumas situações em que foram ultrapassados os 30 minutos.
A maioria dos incêndios foi circunscrito entre os 10 e os 22 minutos, tendo o tempo máximo sido registado em Agosto (uma hora e 57 minutos, no caso do incêndio de Arrouquelas).
A maior parte das ocorrências foi registada entre as 12:00 e as 18:00, sendo as sextas-feiras e os sábados os dias da semana com maiores registos, adiantou.
O distrito de Santarém esteve este ano 99 dias em alerta amarelo, com maior concentração nos meses de Março (19), Junho (20) e Agosto (24), tendo o mês de Setembro (18) registado, em média, mais seis graus do que a temperatura média de referência.
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Registo com agrado as palavras de preocupação do Sr. Comandante Distrital de Operações de Socorro do Distrito de Santarém uma vez que este também considera insustentáveis os números brilhantes conseguidos este ano em relação à área ardida, que, digo eu, em boa verdade pode ser classificada como residual em relação a qualquer ano normal nestas coisas dos incêndios florestais. Tudo isto porque eu não me esqueço e o Sr. CODIS também não, que, por exemplo, no ano de 2005, em Agosto, salvo erro, houve vários dias em que os incêndios simultâneos foram superiores ao número de viaturas de combate a incêndios existentes no Distrito. E por isso alguns desses incêndios, que não puderam ter um combate inicial eficaz, diria agora em termos actuais, musculado, fugiram ao controle e deram no que deram. Portanto as razões das preocupações do Sr. Codis têm razão de ser e base na experiência acumulada ao longo dos anos e não devem ser menosprezadas e muito menos esquecidas.
Quanto á decisão de se realizarem “fogos técnicos” no Inverno, isso mais uma vez prova que de facto a prevenção é a melhor forma de se combater esta tragédia cíclica, como toda a gente sabe. E se o combate falhou é porque a prevenção que devia ter sido feita já tinha falhado há muito tempo. Aliás, toda a gente sabe, toda a gente diz, que os fogos combatem-se no Inverno com uma prevenção pensada e cuidada, como as cheias e inundações se devem combater no verão com a limpeza das linhas de água em tempo oportuno. Por tudo isto se espera, e deseja, que os serviços florestais consigam fazer no Inverno que se aproxima, para além de todos os “fogos técnicos” possíveis, também a redução efectiva da carga térmica e da manta morta existente na floresta, nos baldios, nos povoamentos e até em muitos terrenos agrícolas, urbanizações abandonadas e aldeias esquecidas, com a colaboração das autarquias, das populações e dos exploradores da floresta que devem continuar a ser incentivados a cumprirem as suas obrigações e castigados quando dolosamente deixarem ao abandono resíduos florestais abundantes, muitas vezes acompanhados de outros desperdícios perigosos, de que o fogo tanto gosta.
Quando tudo isto passar a ser normal, quando as pessoas passarem a ter habitualmente atitudes que defendam a natureza e o ambiente, vamos todos deixar de estar preocupados com estas tragédias cíclicas, porque o bom senso imperará. Mas até lá, convenhamos, ainda há um caminho longo a percorrer.