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O marketing da Verdade e a insídia da Mentira

jose niza

Por José Niza

1.   A mentira mais descarada, desavergonhada e oportunista da campanha eleitoral saiu da boca de Manuela Ferreira Leite no frente a frente televisivo com José Sócrates.

 Vá lá saber-se porquê, Sócrates tinha o detector de mentiras desligado. E não reagiu. O mesmo aconteceu com os nossos sábios – comentadores e analistas – sem memória que por aí pululam nos jornais, rádios e – sobretudo – nas televisões, a dizer banalidades e a fazer profecias.

 E qual foi a mentira?

O que disse Manuela?

- Que o PSD sempre apoiou o Serviço Nacional de Saúde!!!

 Ao ouvir isto saltei no sofá da sala e desatei aos gritos. A minha mulher até julgou que eu estava a ter um ataque de asma democrática. Indignei-me. Revoltei-me. Chamei à senhora nomes ainda mais feios do que os que João Jardim chama aos jornalistas.

 Afirmar, perante um milhão e meio de portugueses, que o PSD sempre apoiou o SNS, é o mesmo que proclamar que Salazar foi anticolonialista. Não é falta de memória, é falta de vergonha.

 Mas vamos lá então ver como é que o PSD se comportou quando o SNS foi criado, em 1979, na Assembleia da República.

 2.  Há dias o António Arnaut telefonou-me: “Ó Niza, vou lançar um livro sobre os 30 anos do SNS e gostava que viesses, até porque tiveste um papel importante na sua criação”. E lá fui até Coimbra, à linda Quinta das Lágrimas.

 A sala estava apinhada. Umas trezentas ou quatrocentas pessoas. Nunca vi tanta gente no lançamento de um livro. Gente de todas as cores, ideologias e culturas, da direita ao BE. O António Arnaut fez questão em que eu fosse para a mesa fazer-lhe companhia a ele, ao Dr. Almeida Santos e à Drª Ana Jorge, ministra da Saúde. Manuel Alegre – a convalescer de um internamento hospitalar – enviou um texto sobre a criação e importância social do SNS no qual considera que o maior legado do 25 de Abril e do PS a Portugal foi o Serviço Nacional de Saúde.

 Arnaut contou histórias da História do SNS. Por exemplo esta: Quando Mário Soares o convidou para ministro da Saúde do governo PS/CDS ele aceitou. Mas só com a condição de avançar com o SNS. Soares disse que sim. E só mais tarde percebeu que estava metido num saco de gatos.

 Nessa altura eu era presidente da Comissão Parlamentar de Saúde e responsável nacional do PS por essa área. E foi nessas duas qualidades que com o Arnaut, o Prof. Mário Mendes, o Prof. Miller Guerra, e outros, deitámos mãos à obra.

 A propositura do SNS na AR caiu como uma bomba nas bancadas da direita. O PSD e o CDS reagiram rapidamente e em força! A Ordem dos Médicos/Gentil Martins ameaçava com greves e boicotes. A maioria dos médicos portugueses entrou em pânico, bramando contra a ideia de se transformarem em “funcionários públicos”. Mesmo dentro do PS havia gente hesitante e ambivalente, sensível à demagogia da direita e às ameaças dos médicos. A começar por Mário Soares.

 Os debates parlamentares – nos quais participei – foram de cortar à faca. Recordo-me de deputados médicos do PSD e do CDS atacarem o SNS de todas as formas e feitios. Recordo-me até dos principais porta-vozes desse repúdio pelo SNS: Malato Correia e José Ferreira Júnior, pelo PSD. E Rui Oliveira, pelo CDS.

 Finalmente, com o apoio do PCP, a tão falada “maioria de esquerda” funcionou. E assim se cumpriu uma das promessas maiores do 25 de Abril e o artigo 64º. Da Constituição (Direito à Saúde) que eu ajudei a redigir.

 Voltemos à Quinta das Lágrimas. Depois do lançamento do livro, o jantar: Arnaut, Almeida Santos, Ana Jorge e eu. Enquanto depenicávamos aquelas ficções culinárias a que chamam “nouvelle cuisine”, e sofríamos com as peripécias dramáticas do Portugal-Hungria, o Arnaut e eu abrimos o livro das estórias da História do SNS. Que davam outro livro! 

 

P.S.Como candidato às legislativas pelo distrito de Santarém presumo que o Dr. Pacheco Pereira leia O Ribatejo. Diz-se por aí que ele é o mais importante conselheiro de MFL, aliás, com os resultados que estão à vista. Por isso, modestamente lhe peço que ensine à senhora a diferença que existe entre o marketing da “verdade” e a insídia da mentira. 

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Publicado por on Set 18 2009. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

2 Comments for “O marketing da Verdade e a insídia da Mentira”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Nuno Costa. Nuno Costa said: No "O Ribatejo" – O marketing da Verdade e a insídia da Mentira (O PS final é divino!) http://ow.ly/pZwN [...]

  2. Mais um excelente testemunho para desacreditar quem afinal não merece nunca mereceu nem merecerá qualquer crédito. O próprio programa eleitoral é um embuste porque sendo omisso em várias áreas, se eventualmente o PSD fosse governo poderia tomar medidas que muito bem entendesse sem que lhe pudesse ser pedida qualquer responsabilidade tal como aliás acontece com as Leis sempre que são omissas permitem ao prevaricador tendo possibilidades de contratar um bom advogado de ganhar a acção.

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