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As grandes festas da democracia

Eurico Consciencia

Por: Eurico H. Consciência

“Os portugueses, se tivessem sorte, sorte e senso, deveriam estar a atravessar um período de grandes festejos.

Mas não estão.

Claro que as grandes festas da democracia são as eleições – que são o único instrumento democrático que o povo tem para dizer do acerto ou desacerto (ou desconcerto e desconserto) da actuação dos governantes e dos autarcas e dos deputados que, com o seu voto, designara anos antes.

E o ano de 2009 foi e está prenhe de eleições: já houve para os deputados que se repimpam em Bruxelas, com passeios programados a Estrasburgo (onde se come bem), serão agora as eleições dos deputados para consumo caseiro, e no próximo mês lá teremos cerca de 50.000 portugueses a lutarem denodadamente por lugares nas Câmaras e nas Juntas de Freguesia e nas Assembleias Municipais e de Freguesia. O que farão abnegadamente, despojados de vis interesses pecuniários, com sentido patriótico e comunitário, num autêntico apostolado, porque alguém terá que sacrificar-se pela grey.

Certo que alguns terão gordos “ordenados”, o dobro ou o triplo do que o que a maior parte deles tinha nos seus empregos, mas só não se recusam a recebê-los para não porem em cheque dois ou três dos seus correlegionários a quem dão muito jeito aqueles “ordenados”.

Mas o povo não se mostra entusiasmado com a aproximação dos ditos fastos, que tem sobejas razões par temer que possam ser outra vez ne/fastos.

Os partidos transformaram-se em centros (eficazes) de empregos e já não há quem acredite nas declarações dos políticos – por mais sérias que sejam (e, às vezes, até são).

E restauraram a monarquia: os filhos dos políticos vão substituindo os pais: Candal sucede a Candal, Madeira pai promove Madeira filha, Menezes pai empurra Menezes filho e Sequeira pai “emprega” Sequeira filho.

E as razões de sangue já se vão manifestando no poder local: candidata-se este ano a Presidente da Câmara de Constância um jovem de 19 anos, que ninguém conhecerá em Constância, dado que é rapaz novo e reside noutro município: em Alcanena. Mas é filho do presidente da Comissão Distrital do partido que o candidatou, sendo que de pequenino é que se torce o pepino, pelo que, como sucede nas outras profissões, convirá começar cedo a carreira política.

Curiosamente (ou não), a lista desse partido para a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos é composta por elementos desse partido residentes em Famalicão e Ponte de Lima, donde são naturais – e que, à distância de centenas de quilómetros da Câmara a que concorrem, nunca terão ido a Salvaterra de Magos, não sendo de excluir que alguns deles até ignorem onde fica Salvaterra.

Mas vão ter os votos de alguns salvaterreanos (ou salvaterrenses) – que nunca os viram nem sabem quem são!

Já não se porá no mesmo plano o caso do partido que concorre à Câmara de Abrantes com dois tomarenses na lista, porque esses tomarenses, embora sejam de Tomar e lá residam, já trabalham há anos num organismo de Abrantes.

Convenhamos, contudo, que poucos abrantinos teriam tido a coragem de pôr tomarenses a concorrerem à Câmara de Abrantes. E não acredito que algum tomarense ousasse propor que concorressem à Câmara de Tomar dois abrantinos, residentes em Abrantes.

Que mais não fosse, para que não se duvidasse de que os tomarenses são gente capaz de gerir os interesses de Tomar.

Depois temos aquele Preto da lista de Lisboa de um dos principais partidos, na lista metido apesar de estar acusado de crimes graves …

E o inesperado (ou talvez não) regresso do brilhante Dr. Santana Lopes…

As festas da democracia já não são o que eram. Estão cada vez mais secas e estéreis. Porque já não são festas do povo. São meros jogos deles – dos partidos…”

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Publicado por on Set 26 2009. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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