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A campanha

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Por: Armando Fernandes

Os casos relatados pela comunicação social ocorridos nos últimos dias da campanha, provam que há jornalistas a servirem-se de fontes de outros e a serem simplesmente máscaras de beltrano e sicrano.

Àquele deram-lhe informações originais, a outro confiaram-lhe impressões e desejos, aquele outro recebeu via e-mail segredos de Polichinelo, no entanto, segredos.

Aquele disfarçou-se de virgem ofendida, este apoderou-se das confidências destinadas a fulano, enquanto os políticos secundários disfarçados de meninas da revista saracoteiam-se a fim de serem notados pelas televisões, a fim de debitarem frases previamente ensaiadas.

A propaganda impede a real discussão dos problemas que afectam o País, a sociedade do espectáculo ganha terreno com o consequente circo das vaidades e o triunfo do analfabetismo. De picardias entre jornais está a história do jornalismo repleta de episódios (este jornal já as recebeu), mas se assim continuamos vamos passar a duvidar de tudo quanto neles se noticia.

Os taroucos nestes casos não são idiotas ou tontos úteis, antes pelo contrário, escrevem e falam de acordo com as ordens de quem manda, raramente desafinam e quando algum deles pisa o risco é colocado na prateleira sem nenhuma contemplação.

O grande Stuart caso vivesse e não estivesse impedido pelas grilhetas da censura – há muitas variantes –, tinha grandes oportunidades para com o lápis grosseiro desenhar carões salientes por sorrisos cínicos a insinuarem todo o género de desqualificações pelas indignidades cometidas.

No circuito do disse-que-se-disse murmuram-se nomes supostamente colocados em boa posição para sucederem a José Manuel Fernandes, na direcção do Público. Ele reitera estar de pedra e cal no lugar de director.

A maioria dos portugueses está-se nas tintas para tal eventualidade, prefere saber quais são as perspectivas de o desemprego ser debelado, a insegurança diminuir e a qualidade de vida aumentar. Mas ninguém lhe vai dizer nada acerca disso. Bem podem protestar, até lamuriar como antigamente faziam os pobres cegos de estrada.

No domingo vamos votar.

Todos deviam resistir à tentação de não o fazerem. Ao votarmos ficamos aliviados pois na nossa opinião escolhemos os mais capazes para nos governarem sem estarem sujeitos a interesses espúrios e prejudiciais ao País. Também ficamos legitimados para criticar os eleitos, quando assim se justifique.

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Publicado por on Set 28 2009. Arquivado em Opiniões online. Pode seguir os comentrios a esta notcia atravs de RSS 2.0. Pode deixar um comentrio ou remeter para esta notcia

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